- Por Tony Zucco -
Uma notícia correu o mundo esta semana com a informação de que pesquisadores do Canadá e dos Estados Unidos conseguiram, por meio de uma fórmula botânica, diminuir a velocidade com a qual o tumor aumenta e agride a glândula masculina. No procedimento, os estudiosos utilizaram um fitonutriente rico em antioxidantes que combatem o envelhecimento e melhoram a imunidade.
Segundo artigo publicado na última edição da revista The International Journal of Oncology, a nova terapia não resultou em efeitos colaterais em camundongos, mesmo quando eles foram submetidos a doses altas do medicamento, chamado de
ProstaCaid (PC). “Esse estudo é um passo na pesquisa dessa fórmula, demonstrando que a utilização dela é segura e eficaz em cânceres de próstatas em um modelo animal”, enfatizou o
pesquisador e inventor (sic) da fórmula Isaac Eliaz, do Laboratório de Pesquisa em Câncer (CRB, na sigla em inglês), da Universidade de Indianápolis, nos Estados Unidos, em um comunicado à imprensa.
Mas, na verdade, o que os 'jornalistas' que copiaram e reproduziram a notícia não perceberam e não divulgaram é que o tal 'fitonutriente' é extraído da brasileiríssima FAVA DE SUCUPIRA, e que foi objeto de pesquisas pela Unicamp e foi noticiada (sem que o governo brasileiro desse a mínima atenção para o fato, o que veio permitir, quem sabe, a 'transferência de tecnologia' para os pesquisadores canadenses e americanos).Num país onde a biopirataria abunda, onde até o cupuaçu teve sua patente quase roubada pelos japoneses, tudo parece ser possível.Mas, vamos ao que interessa, que é a notícia original, publicada no Diário da Saúde e no blog AbeldoMoemas em dezembro de 2008:
Fava de sucupira é eficaz contra câncer de próstata
Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) identificaram uma substância na planta popularmente conhecida como sucupira (
Pterodon pubescens Benth) capaz de inibir o crescimento de células de câncer de próstata em estudos in vitro.
Os testes in vivo do trabalho, coordenado pela
pesquisadora Mary Ann Foglio, do programa de pós-graduação do
Departamento de Farmacologia, Anestesiologia e Terapêutica da Faculdade de Odontologia, terão início em fevereiro de 2009 visando ao estudo do comportamento dos compostos isolados em modelos experimentais utilizando o combate às células cancerígenas em camundongos.
Óleo da semente de sucupira"Outras substâncias com estruturas análogas estudadas também mostraram efeito semelhante, mas uma em especial apresentou maior potência, com seletividade para a linhagem de tumores de próstata", disse Mary Ann à Agência FAPESP.
Segundo ela,
o nome da molécula de interesse, extraída do óleo da semente de sucupira, é 6alfa-acetóxi-7beta-hidroxi-vouacapano. A sucupira é uma planta do Cerrado tradicionalmente conhecida pelos seus efeitos antiinflamatórios e de combate à dor.
Efeitos antiinflamatórios e analgésicos da sucupiraOs pesquisadores da Unicamp se basearam em dados de literatura que relacionam a atividade antiinflamatória com o controle do crescimento de alguns tipos de tumores. Além disso, dois estudos de mestrado realizados na Unicamp já haviam comprovado efeitos antiinflamatórios e analgésicos dos extratos da sucupira.
Outros trabalhos na literatura já demonstram, explica Mary Ann, a relação entre atividade antiinflamatória e o controle de alguns tipos de tumor, especialmente do sistema digestivo.
"Por isso isolamos e monitoramos as substâncias do óleo da semente da planta em modelos in vitro para, em um primeiro momento, preservar os animais e comprovar a associação entre a atividade antiinflamatória e anticancerígena", conta.
30 substâncias de interessePor ser composto de muitas substâncias, o óleo da semente foi fracionado com a utilização de métodos cromatográficos. Este processo identificou cerca de 30 substâncias de interesse. Dessas, sete foram isoladas e realizadas modificações em suas estruturas químicas para comparação de suas ações farmacológicas e toxicológicas.
Entre as moléculas identificadas nessas substâncias bioativas, os pesquisadores encontraram a 6alfa-acetóxi-7beta-hidroxi-vouacapano que, segundo Mary Ann, ainda não havia sido descrita na literatura.
"Na próxima etapa do estudo iremos implantar as linhagens de câncer de próstata nos animais e tratá-los com essa substância inédita. Já demos início também a estudos de microencapsulação da molécula para ver a possibilidade de aumentarmos seu tempo de vida útil a fim de administrarmos doses menores da substância", aponta.
Plantas com potencial medicamentosoUm artigo com os achados do estudo foi submetido ao
Journal of the Brazilian Chemical Society, publicação da Sociedade Brasileira de Química.
"O trabalho já foi aceito e deve ser publicado no início de 2009", afirma Mary Ann.
O estudo contou com a participação do docente João Ernesto de Carvalho, também do
Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas da Unicamp, além de outros alunos de mestrado e doutorado na entidade.
O projeto de pesquisa é intitulado
Avaliação farmacológica de frações e princípios ativos obtidos de Pterodon pubescens, com o objetivo de identificar compostos de plantas com potencial medicamentoso.Fonte: http://abeldomoemas.blogspot.com.br/2008_12_01_archive.html