A classe artística de Brasília tem encontro marcado, quarta-feira (24/10), às 14 horas, para dar um abraço em apoio à Casa d’Italia e mostrar ao governo que o espaço para a cultura tem que ser ampliado. “Não aceitamos a amputação de mais um teatro da cidade”, ressalta a cenógrafa e figurinista Maria Carmen de Souza.
“Basta de transações por baixo dos panos!”O Governo do Distrito Federal (GDF), de acordo com a classe artística, quer acabar com a trajetória de um dos teatros mais tradicionais e ativos de Brasília: o Goldoni, instalado na Casa D’Itália, na EQS 208/209, Eixo L, defronte à estação do metrô na 108 Sul.
Isso porque
o GDF colocou à venda, na calada da noite, o terreno da Casa d’Italia, que, como centro cultural em atividade há 20 anos, não pode fazer caixa para quitar quantia incompatível com a arrecadação.
Um dos espaços cênicos mais tradicionais da cidade está prestes a fechar as portas.
O terreno que abriga o Teatro Goldoni (localizado na Casa D’Itália, 208 / 209 Sul) será leiloado em 31 de outubro. A venda ocorre em virtude do término do termo de concessão, que prevê o uso do espaço por 20 anos.
Durante a década de 1980, os dirigentes culturais do governo conseguiram destinar alguns terrenos públicos para uso de atividades artísticas. Assim atesta a Norma de Construção, Uso e Gabarito (NGB) 18/97, que legisla sobre o espaço ocupado pelo Teatro Goldoni. De acordo com a regulamentação, pelo menos 40% das atividades ali mantidas deve ser de natureza cultural. O vencimento da outorga impede a manutenção do teatro, ali instalado desde 1998.
O terreno está listado entre aqueles à venda na próxima licitação da Terracap.A assessoria de imprensa do teatro informou que
o GDF ignorou o pedido de prorrogação da concessão de uso.
Mais do que isso,
o GDF está tentando mudar a destinação do terreno: na Norma de Construção, Uso e Gabarito do terreno onde se localiza o NGB 018/1997 da área construída é obrigatório que 40% sejam ocupados por atividades culturais; na licitação, descreve como proibida a ocupação por atividade cultural.
“Por isso, viemos pedir a todos que ajudem a preservar o Teatro Goldoni das investidas de faturamento do GDF em cima de atividades tão pouco favorecidas economicamente, mas que são de grande importância para a formação de cidadania”, afirma o diretor do Núcleo de Arte e Cultura (NAC), Marbo Giannaccini.
Levantamento do NAC comprova que existem muitos teatros inativos por falta de manutenção e outros, a serem construídos nas regiões administrativas, abandonados pelo poder público. “Enquanto isso, nossas crianças crescem sem o acesso aos bens culturais a que têm direito”, enfatiza Maria Carmen.
O Teatro Goldoni – Pequeno teatro experimental com cerca de 100 lugares, feito com critérios da mobilidade cênica e rigor técnico, que permite a organização e a troca da relação palco/plateia de maneira rápida e econômica. Foi criado em 1998 para encorajar a formação de grupos locais que pudessem contar com a apresentação de espetáculos durante temporada mais longa do que as habitualmente apresentadas.
Em 2007, o Correio Braziliense consultou seus leitores para saber qual era o melhor espaço cênico de Brasília. A escolha recaiu no Teatro Goldoni. Motivo explicado pelos leitores: o calor humano dos técnicos e atendentes, a surpresa de sempre encontrar um novo espetáculo com nova disposição palco/plateia, como se fosse um novo teatro.
Atualmente, o Goldoni apresenta o Ciclo de Leituras Dramáticas Audacioso Nelson, de peças de Nelson Rodrigues, todas as terças-feiras, desde setembro até este mês, com entradas gratuitas.
O ciclo se completa na próxima terças-feira, 23 de outubro, às 19h30. Também em homenagem a Nelson Rodrigues, o NAC apresenta a peça Exagerei no Rímel, de Zeno Wilde e dirigida por Adalto Serra, no Teatro Goldoni, na Casa d’Italia, de 8 a 25 de novembro. Exagerei no Rímel fica em cartaz o mês de novembro, de quinta-feira a sábado, às 21 horas; e domingos, às 20 horas, com entrada franca. A estreia, dia 8, será somente para convidados. Durante a temporada, serão distribuídas senhas na bilheteria do Teatro Goldoni, que dispõe de apenas 100 lugares, duas horas antes do espetáculo começar.