Na semana em que se comemora o Dia das Crianças, a necessidade com o cuidado com a visão chama a atenção para o desenvolvimento daqueles que formarão a nação do futuro
Para ser produtivo na idade adulta, é preciso ter boa visão para aprender na infância.
Mais de 950 mil crianças brasileiras, com até nove anos de idade, apresentam algum grau de deficiência visual. Os dados, divulgados recentemente, foram extraídos do Censo 2010 do IBGE. Para a oftalmopediatra do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB), Dorotéia Matsuura, “o número confirma que os problemas oculares facilmente detectáveis em crianças, no início da idade escolar, são erros refrativos como a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo”.
A oftalmopediatra Dorotéia Marsuura, do HOB. Foto: Dênio Simões.
Erros refrativosCom
miopia a criança vai ter dificuldade de enxergar à distância. “Apesar de ver de perto, uma criança míope apresenta dificuldade ao executar as tarefas dentro de sala de aula”, esclarece a oftalmologista.
Já com
hipermetropia, a criança pode até enxergar bem, mas às custas de um grande esforço visual. “Esta é uma criança que vai se desenvolver mais lentamente na escola durante o aprendizado e pode apresentar sintomas como dor de cabeça e cansaço visual, os quais evidenciam a presença de problemas visuais”, alerta.
Dorotéia descreve que com
astigmatismo, a criança poderá enfrentar dificuldade para enxergar tanto de longe quanto de perto e muito cansaço visual, apresentando também sintomas como dor de cabeça e dor nos olhos. “Crianças com astigmatismo apresentam um rendimento escolar abaixo do esperado normalmente, porque têm sérias dificuldades de aprendizado”, conta.
IdentificaçãoA médica do HOB lembra que pais e professores precisam ficar atentos aos sinais como baixo rendimento escolar, dor de cabeça e dor nos olhos, vermelhidão ocular, coceira e fotofobia. “Algumas escolas já dispõem professores capacitados para identificar dificuldades de visão apresentadas pelos alunos. Nesses casos, quando a criança tem um rendimento abaixo do esperado é encaminhada para avaliação com oftalmologista para realizar exames que permitirão um diagnóstico preciso sobre a quantidade e qualidade da visão da criança. Quase sempre o tratamento é simples. Na maioria dos casos, óculos ou uso intercalado de tampão, nos casos de estrabismo são a base do tratamento”, adianta Dorotéia Matsuura.
ConsequênciasA oftalmopediatra adverte que se os erros refrativos das crianças não forem tratados em tempo, podem desencadear problemas visuais irreparáveis. “A ambliopia também conhecida como olho preguiçoso, é a consequência mais comum de erros de refração e de estrabismo. Consiste na baixa visão de um olho estruturalmente normal, mas que não recebe do cérebro as informações suficientes para um bom desempenho visual. Essa condição é a maior causa de baixa visão na infância”, explica a especialista.
Há uma idade limite para tratar estrabismo “Até os seis anos de idade, a criança ainda pode desenvolver a visão no olho amblíope, porque é a idade limite do processo cerebral chamado plasticidade sensorial. Ou seja, é o período em que o cérebro está em fase de formação e desenvolvimento de visão”, esclarece Matsuura.
EconomiaAo projetar os problemas visuais das crianças em longo prazo, a médica alerta para o fato de que poderão se tornar adultos impedidos de exercer suas profissões em todo o potencial devido ao fato de não enxergarem adequadamente. “O impacto social e econômico deste problema é relevante. Essas crianças serão adultos que, além de não desenvolverem toda a sua capacidade produtiva, vão faltar mais ao trabalho, porque vão necessitar de mais consultas oftalmológicas, bem como de tratamentos e ficarão limitados no seu espectro de oportunidades de trabalho”, observa a médica.