- Ilustração: Newton Silva - Um episódio ainda não revelado e movido a tensão de ambos os lados mexe com os brios do governo federal e da FIFA.
Há 15 dias o presidente da entidade, Joseph Blatter, mandou carta em tom ameaçador à presidenta Dilma Rousseff. Em outras palavras, disse que se o país não acelerasse as obras dos estádios e não enviasse a Lei Geral da Copa para o Congresso, a FIFA não terá outra alternativa a não ser cancelar o evento até ano que vem, prazo estipulado em acordo com o Brasil, e anunciar a Copa em outro país.A Casa Civil deu celeridade, então, ao envio do projeto, mas aí a situação desandou de vez. Os advogados da FIFA no Brasil não gostaram do que leram. Eles esperavam outro projeto, já acordado com o governo.
Entre pontos polêmicos está a venda de meia-entrada para idosos, o que a FIFA veta e vetou em eventos anteriores. Não há objetividade também sobre as regras para comércio e publicidade em torno dos estádios. A FIFA tem exclusividade sobre esses termos, principalmente com a venda de uma cerveja estrangeira que é parceira da entidade, mas o governo não deixou claro se a cervejeira da FIFA terá exclusividade nos acessos aos estádios.
Nos corredores da FIFA, há quem diga que Estados Unidos e Alemanha, que sediaram Copas recentes, estão sob alerta.
Após ameaça a Copa, Dilma quer encontro com a Fifa
De acordo com a colunista
Mônica Bergamo, da Folha, a presidente Dilma Russeff baixou ordem entre seus auxiliares diretos para que o governo estenda a mão à Fifa e acabe com o clima de beligerância que existe hoje entre o governo e a entidade.
Nos últimos dias, a Fifa espalhou notícias de que poderia até mesmo cancelar o mundial no país caso não houvesse um consenso em torno de temas sensíveis, como a cobrança de meia entrada nos estádios.
O governo considera que a entidade não tem condições de concretizar a ameaça. Ainda assim, quer "melhorar o clima" com os cartolas.
A Lei Geral da Copa é o centro do litígio. A entidade máxima do futebol entende que o texto não defende suas receitas com ingressos, patrocínios e televisão do Mundial. O projeto de lei ainda será votado por Câmara dos Deputados e Senado.
São sete pontos de discórdia. Entre os principais, está o fato de a Lei Geral da Copa não ter derrubado a meia-entrada para idosos. Isso contraria o Acordo para Sediar, que dava liberdade à Fifa para lidar com ingressos.
Dilma tem mantido distância dos dirigentes do futebol e colocou todos na geladeira, especialmente o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Ele mantinha boa relação com o ex-presidente Lula mas sequer é recebido pela atual presidente.