- Por Sandra Cosseti - Estamos em São Paulo! Este ano decidimos fazer algo diferente e viemos passar o Ano Novo por aqui. Aproveitamos o ensejo para comemorarmos o aniversário do meu marido. Por isso, chegamos antes.
Primeiro programa: ir ao Estádio do Morumbi para assistir o Jogo das Estrelas. Este jogo acontece todos os anos e reúne, de um lado, os chamados amigos do Zico e, de outro, as Estrelas do Brasil. Esta foi uma experiência totalmente nova para mim; eu nunca tinha ido a um estádio de futebol para assistir a um jogo. É que talvez eu não faça parte do país do futebol...
Mas eu faço parte do país dos rituais. E isso eu pude ver de perto.
Fomos ao jogo de carona com um amigo. Por um golpe de sorte, pudemos deixar o carro bem perto do estádio, ao "módico" custo de vinte reais! Por mais cinco, adquirimos, cada um, uma capa de chuva. E lá fomos nós: em Roma como os romanos!
A chegada ao estádio é algo triunfal; tive um vislumbre do que os artistas famosos enfrentam, ao adentrar o palco e encarar a multidão que os espera ansiosos. Aquelas luzes nos transportam a um lugar diferente, estranho, onde tudo parece mágico!
Fui logo advertida de que o jogo não tinha replay, nem narrador, o que me obrigaria a prestar bastante atenção às jogadas. Como eu disse, talvez eu não faça parte do país do futebol. Por isso, tive de aprender muitas coisas naquele dia.
Por exemplo, esta foi a primeira vez que percebi que cada bandeirinha se responsabiliza por uma metade do campo. Foi incrível ver a técnica de cada um, ao apitar as jogadas, os pênaltis, os impedimentos...
Mas o que mais me impressionou foi o momento da ola. Vocês já viram uma ola? É algo sensacional! Aquilo não é uma simples onda, como eu imaginava; há todo um ritual para que ela aconteça.
Eu não sei como ela começa; mas sei que, ao se aproximar do nosso local, todos começam a bater os pés, rápida e ansiosamente, para avisar de sua chegada. É um barulho ameaçador; algo como um estouro de boiada. E isso gera expectativa! E beleza! É uma energia diferente!
Observando aquilo, pensei em como temos rituais na vida... e como eles são importantes! Eles marcam momentos; encerram para recomeçar; nos impulsionam para o novo...
O dia 31 de dezembro é um dos momentos rituais mais lindos que vivenciamos ao longo da vida. E esse milagre se repete anualmente!
Passada a santidade do Natal, todos estão prontos para os pecados do Reveillon! O Natal é uma festa de família; o Ano Novo, dos amigos! São festas e festas, fogos, champagne, alegria... E a roupa? Esta é fundamental!
Logo no início de dezembro, já se começa a perguntar qual é a cor a ser usada na data. Amarelo para prosperidade; rosa para amor; verde para cura; vermelho para paixão... Outros preferem usar sempre a mesma cor para garantir a sorte que tiveram no ano que passou.
A cor branca é quase uma unanimidade no Brasil! Em geral, todos temos uma peça de roupa branca no corpo, em homenagem à paz!
Todos queremos paz!
Outros comem uvas ou romãs e guardam as sementes na carteira... junto com uma folha de louro! Outros, ainda, iniciam o ano apenas com o pé direito no chão. Há os que comem lentilhas para garantir prosperidade e aqueles que pulam sete ondas para jogar as suas oferendas ao mar... enfim... os rituais não têm fim!
Eu amo os rituais; eles deixam claro onde e quando tudo começou!
E assim como eu não sei como a ola começa, muitas pessoas não sabem a origem das tradições que guardam.
Mas... e daí?O que realmente importa é a nossa fé! Fé no novo, na vida, na esperança, em um momento melhor, diferente, mais pleno...Em 2011 o Universo foi bastante generoso comigo! E eu apenas desejo que em 2012 tudo se mantenha em ritmo de melhora.
Por isso, vou repetir o ritual do ano passado: vou me revestir das cores da alegria, mantendo um coração agradecido e cheio de esperança. Vou convidar a fé para me acompanhar, prometendo alimentá-la diariamente.
Vou me esforçar para ser uma boa menina aos meus olhos e aos daqueles a quem eu amo, lembrando que, mesmo assim, em alguns momentos posso ferir alguém.
Vou sorrir muito e, dessa forma, tentar alegrar algumas vidas. Vou celebrar, dançar, me divertir. Vou cultivar as antigas amizades e acrescentar novas à preciosa lista.
Vou amar tentando, ao máximo, afastar deste verbo a partícula atrapalhativa "se". Ah! Se sobrar tempo, vou trabalhar também! Isso manterá a minha mente temporariamente longe de confusões!
Também vou repetir aquilo que desejei a todos no ano passado: um Ano Novo repleto de felicidade aos que caminharam conosco e àqueles que se juntarão a nós a partir de agora!
E, me valendo de uma sobra do espírito do Natal, faço minhas as sábias e reconciliadoras palavras de Caetano Veloso: "chuva do mesmo bom sobre os caretas"!
Feliz 2011!!!