BNDES aprovou empréstimo, mas indefinição entre intermediários impede liberação de dinheiro
- Por Felipe Castro e Rodrigo Prada - Pela primeira vez, o Corinthians terá de desembolsar recursos para custear a construção de seu estádio em Itaquera, zona leste de São Paulo, palco da abertura da Copa de 2014.Caso contrário, a obra poderá ter seu ritmo drasticamente reduzido já neste mês de outubro.Segundo o Portal 2014 apurou, até aqui apenas a Odebrecht, construtora responsável pelo estádio, pagou a conta do empreendimento.
As obras da Arena Corinthians já consumiram R$ 372 milhões, sendo R$ 150 milhões oriundos de empréstimo-ponte do Banco do Brasil, outros R$ 100 milhões do banco Santander, e o restante, R$ 122 milhões, dos cofres da própria Odebrecht. A construtora segue cobrindo os custos da construção da arena com recursos próprios, mas fontes da empresa informaram que o fôlego está chegando ao fim e já falta dinheiro em caixa.
Obra tem bom ritmo, mas pode parar por falta de recursos em caixa (crédito: Rodrigo Prada/Portal 2014).
Segundo essas fontes, a solução para aliviar as despesas da Odebrecht e permitir o pagamento de empréstimos e juros estaria na liberação do financiamento de R$ 400 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), previsto na engenharia financeira da obra.
Em Itaquera, alguns funcionários da Odebrecht garantem que o financiamento só não saiu por conta de uma indefinição sobre quem pagará o “spread de risco”. Trata-se de um percentual entre 0,5% e 1,5% sobre o valor total do empréstimo — algo em torno de R$ 4 milhões a R$ 6 milhões — que o Banco do Brasil, intermediário do financiamento, cobra para assumir os riscos da operação, já que é garantidor do negócio. A construtora não quer pagar a quantia e a responsabilidade recairia, assim, sobre os ombros do Corinthians, proprietário da arena.
O empréstimo se encontra em tramitação há três meses. Procurados, tanto o BNDES como o Banco do Brasil afirmaram, por meio de suas assessorias de imprensa, que a operação está aprovada.
No caso do BNDES, a aprovação se deu em julho. Mas o BB esconde o jogo. E diz que detalhes da operação encontram-se sob sigilo comercial.
Além do banco, a outra intermediária do negócio é a Sociedade de Propósitos Específicos criada pela Odebrecht para captar o empréstimo.
A construtora também não sabe quando a pendência será resolvida. Mas especula-se que uma ação do Corinthians neste sentido, desembolsando o valor necessário para a garantia do empréstimo, resolveria o problema.
Para o administrador de empresas
Jorge Hori, blogueiro do Portal 2014 e consultor do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco), “alguém terá de ceder para superar os impasses, e esse alguém terá de ser o clube, mesmo que procure jogar em cima das autoridades o risco de São Paulo perder a abertura, o que não ocorrerá”, afirma em seu blog “Inteligência Estratégica”.
Nome do estádio segue indefinidoO Corinthians, por sinal, tem encontrado dificuldades para negociar os
naming rights do estádio. Diretores já se queixaram de que o uso de “Itaquerão” por torcedores e veículos de imprensa dificulta a negociação com empresas.
Desde o ano passado, o Corinthians, que pede R$ 400 milhões (por um período de dez anos) pelos direitos do nome da arena, chegou a tratar com empresas como a cervejaria
Brahma e o banco
BMG, sem sucesso em ambos os casos.
Além disso, a Odebrecht só poderá contar com os CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento) ao final da obra, quando houver a certeza de que o estádio será palco da abertura da Copa.
São R$ 420 milhões em incentivos financeiros, destacados pela prefeitura para o desenvolvimento da zona leste da cidade de São Paulo. Ao lado dos R$ 400 milhões do BNDES, os certificados da prefeitura “fecham” a engenharia financeira da obra.