- Da Folha.Uol - Há cem anos, Amácio Mazzaropi nascia em São Paulo (SP), no bairro de Santa Cecília. Ator, produtor e diretor de dezenas de filmes, Mazzaropi foi um dos artistas mais populares de seu tempo.
Hoje reconhecido como personalidade importante para o cinema e a comédia brasileira, sua obra recebia duras críticas da chamada elite cultural. Por falar com simplicidade, usando a "língua do povo", parte dos intelectuais consideravam seus filmes superficiais.
Amácio Mazzaropi em "O Grande Xerife", de 1972; o comediante atuou em 32 filmes.
"Pois é, falam mal de mim", disse no fim de sua carreira. "Só quero ver quando eu morrer. Daí vão fazer festivais com meus filmes e tem gente que é capaz de dizer até que eu fui um gênio."
Descendente de imigrantes italianos e portugueses, fugiu com o Circo La Paz aos 14 anos. Viajou pelo interior do país na companhia circense, período que inspirou alguns de seus personagens, como o caipira.
Ator Amácio Mazzaropi, famoso por seu personagem caipira, durante entrevista. Foto: Edvaldo Silva 12.fev.1963/Acervo UH.
A Companhia de Teatro de Emergência foi criada por Mazzaropi em 1935. Logo surgiu a Trupe Mazzaropi. Uma década depois fechou um contrato com a rádio Tupi do Rio. Seu primeiro filme, "Sai da Frente", chegou aos cinemas em 1951. Sete anos mais tarde montou sua própria produtora, a Produções Amácio Mazzaropi - Pam Filmes.
Logo estreou "Jeca Tatu", seu filme mais famoso. O típico personagem rural, com camisa xadrez e botinas, levava às telas o que se lia nos livros de Monteiro Lobato (1882-1948). Reapareceu em "Jeca e a Freira", "O Jeca Macumbeiro", "Jeca Contra o Capeta", "Jeca e seu Filho Preto" e "Jeca e a Égua Milagrosa".
Morreu em 1981, vítima de um câncer, aos 69 anos. Foi enterrado na cidade de Pindamonhangaba (SP). Em Taubaté, interior de São Paulo, é considerado um ídolo com direito a um museu em sua homenagem.
Biografia resgata as histórias do grande nome do cinema brasileiro. Divulgação.
Resultado de três anos de pesquisa da jornalista Marcela Matos, "Sai da Frente! A Vida e a Obra de Mazzaropi" mostra como a trajetória de Mazzaropi se confunde com a própria história do rádio e da televisão. Além de resgatar histórias da infância pobre, o livro expõe o lado empreendedor do artista.
"Mazzaropi: Uma Antologia de Risos", parte da coleção "Aplauso", apresenta um homem observador do cotidiano e consumidor de cultura, contrariando a imagem de "alienado" da qual foi rotulado.
De Glauco Barsalini, "Mazzaropi: O Jeca do Brasil" examina as influências artísticas das criações de Mazzaropi, os segredos do sucesso do Jeca e de seu criador e as relações simbólicas entre tal personagem e o universo social, econômico, político e cultural de sua época.