- Por Celso Fernandes -
Centenas de pessoas protestaram nesta segunda-feira no Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo, contra a decisão da Justiça de não autorizar a abertura do Shopping Iguatemi JK.
O empreendimento já está pronto, duzentas lojas montadas, 3.800 pessoas contratadas, e sua inauguração, prevista para 19 de abril, teve de ser adiada porque a prefeitura paulistana, chefiada por Gilberto Kassab (PSD), cria dificuldades para emitir documentos e certidões que impedem o seu funcionamento.
O novo e luxuoso Shopping Iguatemi JK.
A criação de dificuldades até bizarras tem levantado suspeitas no meio político. Quando autorizou o início das obras, em 2008, a prefeitura exigiu do shopping a realização de "contrapartidas viárias" para autorizar o seu funcionamento, mas o problema é que somente em maio de 2011 informou aos empreendedores quais seriam as tais contrapartidas e a principal delas é um viaduto ligando a Av. Juscelino Kubitscheck à Avenida Marginal.
Já no dia seguinte, o shopping apresentou o projeto do viaduto, mas somente às vésperas da inauguração a prefeitura emitiu as primeiras autorizações para o corte de árvores para possibilitar a obra.
A legislação prevê a emissão do Termo de Recebimento e Aceitação Parcial (Trap), licença provisória que permite o início do funcionamento do estabelecimento sem a realização das obras exigidas pela Prefeitura de São Paulo para desafogar o trânsito no bairro do Itaim-Bibi, mas a prefeitura exige documentos que ela própria cria dificuldades para emiti-los.
A Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), organizadora do protesto desta segunda-feira, teme quanto à preservação dos empregos de todos os contratados e também pela mercadoria perecível das lojas, entre as quais quarenta grifes internacionais, das quais trinta inéditas no Pais. Lojistas e empregados recorreram à Justiça para que a Trap fosse emitida, possibiliotando a abertura do shopping, mas a autorização não foi concedida.