Delegado diz que vai indiciar dirigentes de escolas de samba de SP

18:33 |
 - Da Folha.com - 

O delegado da Deatur (Delegacia de Atendimento ao Turista), Osvaldo Nico Gonçalves, disse que já tem elementos para indiciar (acusar formalmente) dirigentes de escolas de samba de São Paulo sobre o tumulto que interrompeu a apuração do Carnaval, na terça-feira.



Neste caso eles responderiam pelos mesmos crimes cometidos pelos dois integrantes de escolas que já estão presos. Tiago Ciro Tadeu Faria, 29, da Império, e Cauê Ferreira, 20, da Gaviões. Os delitos são: supressão de documentos e dano ao patrimônio publico. O crime de formação de quadrilha também não está descartado.



Faria e Ferreira foram presos após invadirem a área de apuração quando faltavam só duas notas para que a escola campeã fosse conhecida. A confusão se alastrou na saída do Anhembi e um carro da Pérola Negra foi incendiado.



O delegado Gonçalves não diz quem seriam os dirigentes indiciados. "Mas eles vão vir depor e sairão daqui indiciados", afirmou.



Estão previstos para até o fim da tarde desta quinta-feira os depoimentos de Josélia Alves, diretora da Camisa Verde e Branco, e Alexandre Salomão, o Teta, diretor de Carnaval da escola. O presidente da agremiação, Ribamar de Barros, está preso desde janeiro, acusado de extorsão.



Para esta sexta-feira estão marcados os depoimentos de Wagner da Costa, vice-presidente da Gaviões da Fiel, Edilson Casal, presidente da Pérola Negra e Luciana Silva, integrante da Tom Maior.



Já estão intimados para depor na próxima segunda-feira Darly Silva, o Neguitão, presidente da Vai-Vai, Renato Maluf, vice-presidente da escola, Paulo Sérgio Ferreira, o Serginho da Vila Maria, que preside a Liga das Escolas de Samba, além de um homem identificado como Caio, intérprete da Vai-Vai.



O advogado Adriano Salles Vanni, que representa a escola Camisa Verde e Branco disse que os integrantes da agremiação não cometeram crime. "Foi o calor dos acontecimentos o causou tudo isso, pelo menos em relação ao pessoal da Camisa. Ninguém rasga voto nem dilapida patrimônio algum, isso ficará esclarecido."



Questionado a respeito de imagens feitas pela TV Globo que mostram um dos integrantes jogando para cima e chutando papéis, ele respondeu: "São envelopes vazios. Não havia votos."



Ele afirmou que os dois membros da agremiação intimados para depor nesta tarde vão comparecer.

Diogo Shiraiwa/Editoria de Arte/Folhapress





CONFUSÃO

A confusão interrompeu a leitura das últimas notas das escolas de samba do Carnaval de São Paulo, no Anhembi (zona norte), na tarde desta terça-feira (21). Tudo começou quando um integrante de escola de samba invadiu a área onde as notas eram lidas, agrediu o locutor com um chute, pegou e rasgou os envelopes com as notas. A confusão se espalhou, e a apuração terminou em vandalismo.



Após o tumulto dentro do Anhembi, onde ocorria a apuração, torcedores invadiram parte da pista da marginal Tietê. Um carro alegórico foi queimado na dispersão do sambódromo, onde estavam as alegorias usadas nos desfiles.



Policiais militares que estavam no local tentaram proteger os locutores e jurados, mas a confusão foi generalizada. Integrantes de outras escolas também invadiram a área.



Depois, torcedores da Gaviões da Fiel invadiram a marginal Tietê, chutaram placas da cerca de proteção do pátio enquanto seguiam em direção à quadra da escola.

Homem invade área onde notas eram lidas, pega e rasga documentos. Reprodução/TV Globo.


TROCA

A apuração já havia começado com clima tenso, após um atraso de mais de 20 minutos. Representantes de cada escola foram convocados para uma reunião à portas fechadas, que tratou de uma troca de jurados.



Segundo a Liga Independente das Escolas de Samba, jurados dos quesitos samba-enredo e mestre-sala e porta-bandeira foram substituídos por suplentes na quinta-feira (16), um dia antes do início dos desfiles do Grupo Especial. Um dos jurados disse que não podia participar porque seria jurado no Rio, e o outro alegou motivos "emocionais". Segundo a Liga, a troca foi informada por e-mail.



O presidente da Vai-Vai, Darly Silva, o Neguitão, reclamou da troca dos jurados e disse que isso deixou as escolas indignadas. "Nós não vamos aceitar isso. Estão roubando escolas, beneficiando essa daí [Mocidade], que só tira 10", disse.



No momento da interrupção, a Mocidade Alegre liderava a apuração e era a única com notas 10 em todos os quesitos avaliados. Faltavam ser lidas as duas últimas notas do último quesito.

Carro alegórico é destruído por incêndio após tumulto no sambódromo de SP. Foto: Marcos Bezerra/Futura Press

Instantes antes da confusão, Neguitão começou a protestar contra a apuração, e integrantes da Camisa Verde e Branco se juntaram a ele, rompendo a barreira de segurança da área onde eram lidas as notas. Integrantes da Vai-Vai ameaçaram agredir fotógrafos que faziam imagens de Neguitão.



O diretor-executivo da escola, Américo Calandriello Júnior, disse que Neguitão ficou revoltado, mas não incitou agressões. "Ele é uma pessoa muito tranquila, e comanda uma comunidade enorme em torno da escola. Ele jamais agrediria ninguém."



Josélia Alves, da diretoria da Camisa, gritou pouco depois da interrupção: "Acabou o Carnaval de São Paulo. Não vai haver mais apuração. Não admitimos que as escolas sejam roubadas." Após ser divulgado o resultado do Carnaval, Alves disse que entraria na Justiça para anular a apuração.
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Ator de 'MacGyver' usa canivete para personalizar abadá em Salvador

19:26 |
 - Do G1 - 

Ator Richard Dean Anderson vai desfilar no trio do grupo Asa de Águia   
Ele é conhecido pelo personagem 'MacGyver' do seriado 'Profissão Perigo', dos anos 80.
O ator Richard Dean Anderson, conhecido como "MacGyver", personagem do seriado de TV "Profissão Perigo", exibido nas décadas de 1980 e 1990, chegou nesta quarta-feira (15) a Salvador, onde vai passar o carnaval. Ele relembrou os áureos tempos do protagonista e usou um canivete suíço para personalizar uma abadá do grupo Asa de Águia.



Angus MacGyver era o nome completo do agente secreto interpretado por Richard no seriado. Ele não usava armas e resolvia as mais diversas situações de apuro com seus conhecimentos de ciência, química, física e matemática. O instrumento científico do personagem era sempre ligado ao uso de uma ferramenta, que também se tornou marca dele, o canivete suíço.

Ator Richard Dean Anderson, conhecido como "MacGyver", chegou a Salvador para passar o carnaval. (Foto: Divulgação/Paramount Pictures e Edgar de Souza/G1)
Quando o G1 convidou Richard a customizar um abadá, ele de imediato achou estranho ter de cortar uma "camiseta" e logo afirmou que "não entendia nada de moda para fazer isso". Após saber sobre o tradicional costume dos foliões do carnaval de mudar a costura do traje típico da folia de Salvador, ele aceitou o desafio.



Sem jeito e um pouco enferrujado com o uso do canivete suíço, Richard incorporou o velho "MacGyver" e colocou seus truques em ação. "Vamos ver o que consigo fazer com isto. Vou mostrar como se faz. Oh, meus Deus! Não tentem isso em casa", disse o ator, ainda tentando entender a tal personalização do abadá, que ele acabou não vestindo por não ser de seu tamanho.

Por algumas vezes, Richard tentou acertar a pronúncia de abadá. Ele mandou um primeiro "abaduá", depois emendou um "ábada" e finalizou com um acentuado "abadá", que só conseguiu falar como se estivesse gritando.

Ator Richard Dean Anderson como "MacGyver", no seriado de TV (esq.), e durante customização de abadá nesta quarta-feira (15), em Salvador (Foto: Divulgação/Paramount Pictures e Edgar de Souza/G1)

Ator Richard Dean Anderson, conhecido como "MacGyver", mostrou o resultado da customização de abadá nesta quarta-feira (15), em Salvador (Foto: Edgar de Souza/G1).
Futebol

Apesar de estar em clima de carnaval em Salvador, Richard só conseguiu falar sobre personagens brasileiros do futebol, como Pelé e Ronaldo "Fenômeno". Ele mostrou ansiedade por participar do carnaval baiano. Ele vai desfilar no trio do Asa de Águia, no circuito Dodô. "Na Luisiana, nos Estados Unidos, tem um evento semelhante, mas nada se compara ao carnaval do Brasil."



Richard é convidado de Durval Lelys, do Asa de Águia, e do cantor Michel Teló. Ambos afirmaram serem fãs de "MacGyver". O vocalista do Asa é conhecido por algumas pessoas mais próximas como "Durvalino MacGyver", por causa de uma inseparável pochete, onde carrega ferramentas inusitadas para resolver problemas de amigos. "Sou o MacGyver brasileiro."



O encontro ainda reuniu o cantor Michel Teló, que ficou emocionado durante coletiva à imprensa. "Quando era criança queria ser ele [MacGyver]. Tinha o cabelo igual, quebrava o relógio para tentar consertar. Estar aqui com o meu ídolo e o Durval, Rei da Bahia é uma grande alegria", afirmou Teló.
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