- Do Uol - A mãe da menina Grazielly Almeida Lames, 3, depôs na tarde desta quinta-feira (23) na delegacia de Bertioga, litoral de São Paulo, sobre a morte da filha, atropelada por um jet ski no último sábado (18) no município.
Cirleide Lames chegou na delegacia de Bertioga (SP) por volta das 11h20 com seu advogado, mas não falou com a imprensa.
Ao deixar a delegacia, Lames disse que não aceitará a impunidade e
“vai lutar até o fim por justiça”. Abatida, após depoimento que durou cerca de três horas, ela afirmou que espera entender o que aconteceu no último sábado. Segundo Lames, foi tudo muito rápido: ela diz que estava brincando com a filha na beira da água e, ao virar-se para voltar mais próximo da areia, o jet ski veio e atingiu sua filha.
A mãe da menina chegou a sentir-se mal durante o depoimento. Acompanhada do advogado, José Beraldo --o mesmo que atuou no julgamento do caso Eloá como assistente de acusação--, Lames disse que sua única filha era muito querida na família e vivia sorrindo.
O menor suspeito de dirigir o equipamento deveria se apresentar hoje, mas seu advogado, Maurimar Chiasso, disse que ele não iria mais.
Segundo o advogado, o adolescente - que tem 13 de não 14 anos - não estava pilotando o jet ski no momento do acidente. O equipamento estaria sem ninguém no controle quando, desgovernado, atingiu a menina, que brincava com a mãe na parte rasa da praia de Guaratuba. O jovem, diz o advogado, teria apenas dado a ignição e, em seguida, caído na água quando o equipamento ligou e se projetou.
O advogado da família de Grazielly disse que irá ingressar com ação de dolo eventual contra o responsável por ter entregado a chave do equipamento ao menor suspeito de provocar o acidente. “Quem deu a chave ao jovem assumiu o risco de produzir o resultado, neste caso, a morte da menina”, disse Beraldo. "Essa pessoa, assim como todas as demais que estavam na mesma casa, serão responsabilizadas."
O inquérito está sob os cuidados do delegado titular de Bertioga, Maurício Barbosa.
A menina Grazielly Almeida Lames, 3 anos, morreu ao ser atingida na cabeça por um jet ski desgovernado. Reprodução/YouTube.
Para a criminalista e procuradora de Justiça Luiza Nagib Eluf, caso os relatos iniciais sejam confirmados, um adulto deve ser responsabilizado pelo acidente. “A responsabilidade inicial é de quem era o dono do jet ski. Se essa pessoa não passou o veículo ao adolescente, outro adulto o fez e teria de arcar com as consequências”, disse.
O caso
Grazielly Almeida Lames, que visitava o mar pela primeira vez, brincava com a mãe na área rasa da praia quando o jet ski a atingiu na cabeça.
Ela foi levada de helicóptero ao Hospital Municipal de Bertioga, com traumatismo craniano, mas chegou já morta. O adolescente suspeito de dirigir o jet ski fugiu do local sem prestar socorro.
O enterro de Graziele aconteceu na manhã da última segunda-feira (20), em Arthur Nogueira (148 km de São Paulo), onde a menina morava com os pais.