- Da BBC Brasil - O mordomo e assistente pessoal do papa Bento XVI, Paolo Gabriele, de 46
anos, um dos poucos funcionários que têm acesso à parte privada do
apartamento papal, foi detido na última quarta-feira (23) e indiciado
pela posse ilegal de documentos confidenciais do Vaticano e o vazamento
de informações para a imprensa.
Segundo a agência BBC Brasil, ele está
detido numa sala especial da Guarda da Santa Sé, já que não há prisões
no território governado pela igreja católica em solo italiano.
A série de vazamentos na imprensa italiana, apelidada de Vatileaks (em
referência ao caso Wikileaks, site especializado nesse tipo de
informação), revelou supostos casos de corrupção, má administração e
conflitos internos no Vaticano.
O mordomo vive com sua mulher e três filhos em um apartamento dentro dos
muros do Vaticano, onde a mídia italiana disse que foi encontrada uma
pilha de documentos confidenciais.
"Eu confirmo que a pessoa detida na quarta-feira por posse ilegal de
documentos particulares é o senhor Paolo Gabriele, que permanece
detido", disse o porta-voz da Santa Sé padre Federico Lombardi, segundo a
TV italiana Rai.
Se for condenado, Gabrieli poderá cumprir pena de até 30 anos de
prisão por posse ilegal de documentos de um chefe de Estado,
provavelmente em uma prisão italiana, devido a um acordo entre a Itália e
o Vaticano.
O escândalo do Vatileaks vem dominando manchetes de jornal e programas de TV na Itália nos últimos dias.
Na semana passada, um livro chamado "Vossa Santidade", contendo trechos
de cartas confidenciais e bilhetes trocados entre o papa e seu
secretário, foi publicado por um jornalista italiano.O Vaticano chamou o livro de "criminoso" e prometeu processar o autor, a editora e o responsável pelos vazamentos.
Os documentos entregues à imprensa incluem uma carta do atual embaixador
do Vaticano em Washington para o Papa, mencionando tratamento
preferencial, nepotismo e corrupção entre administradores da Cidade do
Vaticano.Havia também documentos com críticas ao número dois da igreja católica, o
cardeal Tarcisio Bertone, e relatos de pagamentos suspeitos feitos pelo
Banco do Vaticano (Instituto para as Obras Religiosas, IOR).
Na última quinta-feira, o presidente do Banco do Vaticano, Ettore Gotti
Tedeschi, foi destituído do cargo. Fontes ligadas à investigação dizem
que ele também teria vazado documentos, apesar de a razão oficial para a
demissão ter sido a falta de resultados na função.
O próprio Tedeschi disse que a decisão de removê-lo da liderança do
banco foi uma punição devido à sua tentativa de tornar o banco "mais
aberto".
- Enviado por Jorge Wamburg -